Não é raro vermos criadores que não utilizam uma Estética que estimule um aumento do padrão emocional para ajudar ao crescimento da inteligência emocional em quem irá receber essa criação, que é o mesmo que dizer, aplicar uma orientação, construída de forma reflectida e pensada para o desenvolvimento pessoal dos seus fruidores. É mais comum do que se pensa ver esta fraqueza dos criadores no meio artístico.
Isso acontece porque lhes falta conhecimento sobre Estética, para se saber o que é que se quer produzir, porquê, para quê e qual é o seu papel (função) no sistema de artes da cultura do País.
Confundem os pressupostos e princípios da Arte e da Estética resultantes da maturação do processo de construção do conhecimento teórico até aqui, com o estereótipo das «sensibilidades» pessoais, que são meramente suportadas na vivência do quotidiano, não tendo um fundamento prévio para o acto de criação. Ao terem interiorizado este equívoco cometem o erro de usar este estereótipo erróneo como o drive para a criação.
Sem terem o requisito do conhecimento em Teoria Estética não é possível criarem uma obra que contenha uma intencionalidade consciente, intencionalidade essa que tem de ser definida previamente para se conseguir o propósito desejado durante a fruição na recepção da obra. Ora, se o resultado a obter no processo criativo não tem um propósito definido por parte do seu(a) criador(a), nem estes têm controlo sob os efeitos estéticos a transmitir ao público-alvo, deixam então à aleatoriedade o que esperam conseguir no final do processo.
Não perceber o que deve reger um processo criativo é não perceber quais as funções que a Arte tem.
A Estética contém os princípios orientadores para uma criatividade reflectida, não improvisada abordagem do «a ver o que dá», onde usá-los é recorrer a uma ferramenta que permite ao(à) criador(a) definir a sua intencionalidade, propósito e construir os sentidos (significação) na mensagem que quer dar e com isso conseguir trazer valor à vida das pessoas, não desvalor.
Sem os mesmos, entra-se num jogo da sorte a ver se se consegue acertar no mapa dos sentidos certos para os seus fruidores. Entre o efeito provocado e a intenção inicial do(a) criador(a) está a criatividade. Mas a mesma só é controlável para esse fim, se se recorrer à Teoria Estética.
Ter conhecimento e domínio técnico para o controlo dos efeitos a projectar é conseguir construir um caminho, bem pensado, para onde o(a) criador(a) artístico quer que os fruidores da sua obra vão.
Ao se optar pelo caminho com o sentido bem reflectivo para o contexto que se está a criar está a suportar uma das funções sociais da Arte: A Arte como instrumento social para a criação de efeitos do belo na recepção da obra criada e não o promover o seu efeito oposto, o efeito da fealdade.
Não perceber isto é porem-se a jeito, quer com a academia e a crítica de arte, que principalmente o mais importante: o público para o qual criaram, por não ter sido considerado o que é, como pensa, como sente, e as variáveis sociológicas, culturais e psicológicas da forma mentis onde pertencem.
Isto é apenas uma forma de narcisismo do(a) criador(a), traço habitual infelizmente nestes processos, que apenas desrespeita para quem se cria. As razões para esse narcisismo na criação artística quando se procura o cumprimento da Função Social da Arte, são várias, para além das razões de falta de conhecimento sobre Teorias Estéticas e o o papel dos criadores dentro do Sistema das Artes numa Cultura.
O problema de narcisismo nos criadores é reconfirmado quando os mecanismos de defesa da negação e denegação vêm ao de cima, em defesa precisamente do ego que representam, quando são confrontados com a realidade dos efeitos negativos não esperados. Claro, se não houve um planeamento prévio na construção do objecto artístico, negligenciando os códigos semióticos, meteram-se a jeito…
Só assim se percebe a ignorância no uso subsequente a esse confronto com a realidade, à narrativa da negação como a de que «somos uns incompreendidos» (porquê será?) ou que a «nossa arte não é compreendida» (e não é mesmo…) ou até a soberba (tal é o narcisismo de que padecem) de que «o público não é merecedor de tal elevação intelectual criativa que a minha visão tem».
Esta narrativa é uma demonstração da desonestidade intelectual dos mesmos. Primeiro, pelo desconhecimento técnico que têm sobre a Arte e a Estética. Segundo, para consigo mesmos, por não conseguirem usar uma capacidade que é natural a qualquer ser humano que, quando nasce vem equipado: O discernimento (principalmente, o emocional).
Este exemplo que aqui partilho apenas se distingue dos muitos restantes que proliferam no meio artístico, devido à notoriedade dada pelo contexto onde foi e não porque seja raro ver-se.
Bem pelo contrário.
O humor do público é uma boa medida para se perceber o tipo de efeitos gerados na recepção da obra que criamos.
Metem-se a jeito, depois não se queixem:

